O momento em que os pais decidem buscar a ajuda de um psicólogo para seu filho costuma ser doloroso e difícil, já que, muitas vezes, sentem este pedido de socorro como um atestado de que fracassaram enquanto pais.

Por isso, é comum que os pais se sintam avaliados e questionados pelo profissional, apesar de, muitas vezes, este sentimento refletir nada mais do que o estado de angústia e desamparo em que estes se encontram.

A postura do profissional…

Por tudo isso, é muito importante que o profissional consiga oferecer acolhimento a estes pais, auxiliando-os a encontrar recursos dentro de si próprios para conhecer quais as dificuldades que encontram no cuidado do filho.

Tendo conseguido buscar auxílio, os pais (ou somente um deles) irá passar por uma ou duas entrevistas com o profissional. Nestas entrevistas, o profissional buscará  conhecer o histórico da criança e da família bem como particularidades da dinâmica familiar.

Após isso, marca-se uma entrevista com a criança. Neste momento, é importante que os pais tenham informado à criança de que ela irá visitar um psicólogo e o motivo desta consulta, algo que normalmente é orientado pelo profissional nas entrevistas iniciais.

O percurso do tratamento…

Vencida esta primeira etapa, inicia-se o processo psicoterápico que terá uma frequência semanal de, no mínimo, uma ou duas vezes por semana, dependendo do caso.

Este é o período mais delicado do processo já que os pais, que a princípio vieram buscar ajuda para seu filho, começam a se sentirem invadidos por uma série de angústias que, se não forem trabalhadas em suas próprias psicoterapias ou manejadas pelo profissional, poderão gerar a interrupção precoce do trabalho.

Mas quais são estas angústias?

Normalmente tratam-se de angústias ligadas à separação do filho que surgem com questionamentos do tipo: O que será que estão fazendo na sala sem mim? e que estão relacionadas à vivências de inveja, ciúmes e dificuldade de separação. Neste momento, passa-se a denunciar as dificuldades emocionais dos pais que, muitas vezes, estavam colocadas na criança.

Muitas destas vivências são inconscientes, ou seja, os pais não têm consciência de que sentem isso. Mas, apesar de não serem conscientes, podem prejudicar enormemente o trabalho analítico do filho e provocar, em última instância, a interrupção.

Quando chegam neste ponto, costumam falar que o filho já teve alguma melhora e que o trabalho é suficiente ou então encontrar algum motivo “externo” para interromperem o tratamento.

O que fazer diante disso?

Diante destas intensas vivências emocionais (e até certo ponto inevitáveis, quando os pais também estão desorganizados emocionalmente) sugere-se que os pais também possam estar passando por um processo psicoterápico.

Pois, na medida em que eles próprios têm um espaço particular pra trabalhar suas dificuldades e angústias, o processo com a criança pode ocorrer de forma mais satisfatória, já que não precisará lidar com tantos eventos externos ao próprio trabalho.

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