Nesta sexta-feira estive no Cinema e Psicanálise e assisti ao filme “O retrato de Dorian Gray”, baseado no livro de mesmo título escrito por Oscar Wilde. Vale lembrar que, além deste filme, há outras filmagens da mesma obra, embora eu não as tenha visto.
Grande parte das discussões após a exibição do filme giraram em torno da temática do narcisismo. Como o propósito do post não é analisar o filme e sim o narcisismo, sugiro que leiam a obra de Oscar Wilde e assistam ao filme para compreender melhor a discussão.
Diante disso, resolvi revisitar mais uma vez o mito de Narciso e passo agora a descrevê-lo na íntegra para que nenhum detalhe se perca.
No final de semana passado corri ao cinema para assistir “Shame” (vergonha em português), com direção de Steve McQueen.
Trata-se de um filme denso e angustiante, na medida em que se propõe a retratar, com muita sensibilidade e estilo poético, a condição de extrema solidão de Bradon (Michael Fassbender), um homem bem sucedido de Nova York, viciado em sexo.
Gostaria de começar meus comentários chamando a atenção para o clima emocional que, a meu ver, permeia o filme do início ao fim. Grande parte das cenas são filmadas em prédios hermeticamente fechados, com vidros transparentes. Tanto a casa de Bradon quanto o seu escritório são assim: caixas de vidro que me remeteram à uma insuportável sensação de sufocamento. Também associei estes cômodos / caixas de vidro à vitrines, na medida em que tudo fica exposto para o mundo exterior, mas nada pode ser de fato conhecido intimamente porque há barreiras intransponíveis entre o interno e o externo.
Na semana passada fui surpreendida com uma ligação que me deixou bastante feliz (e, confesso que inicialmente desconfiada).
Fui informada pela agência que realiza a pesquisa Top of Mind em Ribeirão Preto e região de que eu havia ficado em primeiro lugar na categoria Psicólogos da cidade.
Para quem não conhece este sistema de ranqueamento do Top of Mind aqui vai uma explicação: eles selecionam pessoas com determinado perfil social (no caso desta pesquisa, pessoas que ganham mais de dez mil reais por mês) e perguntam a ela qual profissional vem em sua mente quando se fala de um psicólogo sem oferecer nenhum estímulo, ou seja, sem dar opções de nomes.
Hoje resolvi escrever um texto sobre a importância de termos “fé na Psicanálise”.
Este é um tema recorrente no meio psicanalítico em que se discute a crise da Psicanálise, diante do momento histórico / cultural atual (muito diferente do vivenciado por Freud). Lembro a vocês que crise não é algo necessariamente ruim já que, é no momento de crise que ressignificamos nosso modo de compreender o jeito habitual de fazer as coisas.
No caso da Psicanálise, a crise atinge seus pilares mais fundamentais, já que hoje muitos pacientes nos perguntam porque precisam vir duas, três, quatro vezes no consultório e se deitar no divã. E, diante desse universo cultural e social hightech, que resposta convincente daremos a ele?
Nesse cenário em que se exige dos profissionais de saúde mental (psicólogos, psicanalistas, etc.) que eles ofereçam respostas prontas e rápidas, provavelmente porque a dor mental já está tão insuportável que precisa ser rapidamente evacuada e “não pensada”?
Um dos trabalho de uma análise consiste na ampliação (ou construção) da capacidade do paciente de sonhar sua realidade, externa e interna, mantendo o que eu chamaria de uma posição de potência diante da vida.
Bion foi o primeiro psicanalista que chamou a atenção para o fato de que Leia Mais