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	<title>Psicologia em Ribeirão Preto &#187; Atendimento Clínico</title>
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		<title>Fé na Psicanálise</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 20:09:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atendimento Clínico]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje resolvi escrever um texto sobre a importância de termos &#8220;fé na Psicanálise&#8221;. Este é um tema recorrente no meio psicanalítico, particularmente em um momento histórico e cultural em vivemos hoje já que a Psicanálise vive um momento de crise. Lembro a vocês que crise não é algo necessariamente ruim já que, é no momento [...]<h4>Nenhum post relacionado </h4>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje resolvi escrever um texto sobre a importância de termos &#8220;fé na Psicanálise&#8221;.</p>
<p>Este é um tema recorrente no meio psicanalítico, particularmente em um momento histórico e cultural em vivemos hoje já que a Psicanálise vive um momento de crise. Lembro a vocês que crise não é algo necessariamente ruim já que, é no momento de crise que  ressignificamos nosso modo de compreender o jeito habitual de fazer as coisas.</p>
<p>No caso da Psicanálise, a crise atinge seus pilares mais fundamentais, já que hoje muitos pacientes nos perguntam porque precisam vir duas, três, quatro vezes no consultório e se deitar no divã. E, diante desse universo cultural e social <em>hightech, </em>que resposta convincente daremos a ele?</p>
<p>Nesse cenário em que se exige  dos profissionais de saúde mental (psicólogos, psicanalistas, etc.) que eles ofereçam respostas prontas e rápidas, provavelmente porque a dor mental já está tão insuportável que precisa ser rapidamente evacuada e &#8220;não pensada&#8221;?</p>
<p><span id="more-427"></span></p>
<p>Nesse cenário em que profissionais gabaritados que, impedidos de fazer frente ao sistema, começam a atender pacientes em convênios médicos durante meia hora para ganhar quinze reais por sessão?</p>
<p>Como fazer frente a tudo isso sem ficar alienado? Sem ficar coisificado e, ao contrário, preservando a capacidade de pensar e de tolerar manter um certo discurso divergente?</p>
<p>Bem, acho que o primeiro passo é ter fé na Psicanálise. E para isso não vejo outro caminho senão o da análise pessoal, já que sem experimentar em si próprio a eficácia do método não é possível &#8220;vender o peixe&#8221; para ninguém.</p>
<p>Outra condição necessária para um profissional manter sua mente viva diante desse &#8220;rolo compressor&#8221; é a capacidade (conquistada através de trabalho interno) de suportar ser diferente ou apresentar um discurso disruptivo / criativo que abra brechas e lacunas de pensamento.</p>
<p>Só desta forma poderemos fazer um trabalho de formiga e ajudarmos os nossos pacientes a compreender que a mente dói e dói muito. Aliás, que a dor da mente é a pior dor que existe porque não tem nome, não tem significado. E é por isso que os nossos pacientes precisam tanto da nossa companhia: para ajudá-los a nomear as dores inomináveis que sentem!</p>
<p>Então, a dica que eu dou para aqueles que estão começando é que lutem pela Psicanálise porque, em última instância, estarão lutando pela verdade das emoções que é o que faz a mente se desenvolver.</p>
<p>O que você achou desta discussão?</p>
<p>Deixe seu comentário aqui.</p>
<p>Ana Laura Moraes Martinez</p>
<p>Psicóloga clínica / Professora Doutora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>


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		<title>Comentários sobre o filme &#8220;A pele que habito&#8221;</title>
		<link>http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/atendimento-clinico/comentarios-sobre-o-filme-a-pele-que-habito</link>
		<comments>http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/atendimento-clinico/comentarios-sobre-o-filme-a-pele-que-habito#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 15:42:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atendimento Clínico]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem finalmente consegui assistir ao filme &#8220;A pele que habito&#8221; do inconfundível Pedro Almodóvar. Fiz o exercício de assisti-lo sem ficar  impregnada dos vários comentários que já havia ouvido antes sobre o filme; muitos deles, negativos. Realmente o filme é impactante e talvez por isso eu tenha ouvido tantas pessoas falarem que não haviam gostado [...]<h4>Nenhum post relacionado </h4>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem finalmente consegui assistir ao filme &#8220;<a title="crítica" href="http://http://omelete.uol.com.br/festival-do-rio-2011/cinema/pele-que-habito-critica/">A pele que habito</a>&#8221; do inconfundível Pedro Almodóvar.</p>
<p>Fiz o exercício de assisti-lo sem ficar  impregnada dos vários comentários que já havia ouvido antes sobre o filme; muitos deles, negativos.<span id="more-416"></span></p>
<p>Realmente o filme é impactante e talvez por isso eu tenha ouvido tantas pessoas falarem que não haviam gostado do filme ou que Almodóvar, neste filme, perdeu o contato com a realidade.  Vi também alguns críticos de cinema descrevendo- como &#8220;o primeiro filme de terror de Almodóvar&#8221;.</p>
<p>Bem, não foi um filme de terror que eu encontrei. Mas, realmente, trata-se de um filme que retrata de forma terrível a violência  que pode haver nas relações humanas e que, se não forem sonhadas, irrompem sob a forma de crueldade, atos de vingança e de perversidade.</p>
<h1>A história&#8230;</h1>
<p><img class="alignleft  wp-image-421" title="a pele que habito" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/a-pele-que-habito1.bmp" alt="" width="250" height="190" /></p>
<p>se centra na figura do cirurgião plástico Robert, interpretado por Antonio Banderas que,  aliás, está ótimo! Aos poucos, o telespectador fica sabendo de fragmentos de sua vida que vão permitindo compreender quem é aquele homem de olhos petrificados, quase sem expressão:</p>
<p>Filho de Valquíria, uma empregada doméstica fria e pouco afetiva, e do dono de uma mansão para a qual ela trabalhava. Apesar de sua mãe fria, parece que Robert pôde contar com uma mãe mais atenciosa e afetiva  do que o seu irmão, Tigre, que foi gerado em uma relação sexual pontual com um empregado da família.</p>
<p>Com Tigre, Valquíria é particularmente cruel e a relação entre ambos beira o matricídio / filicídio. Ela é explícita ao dizer que não o quer. Resultado: o menino Tigre, desde pequeno, foi criado na rua e envolveu-se com o tráfico de drogas. Não pôde contar desde o início da vida com uma mãe amorosa que pudesse humanizá-lo. Talvez por isso a referência ao Tigre que remete à figura de um animal.</p>
<p>Já o médico pôde ter algo mais de sua mãe, tendo sido criado por ela como criada, embora o mesmo tenha sido apresentado à sociedade como sendo filho do médico com sua mulher estéril. Desta forma, não tinha identidade: A relação dele com a mãe Valquíria é fria e, apesar de o telespectador ter uma ideia de que ela  se preocupava com o cuidado físico de sua casa, com o preparo da comida, não oferecia a ele o mais importante: o alimento da alma, ou seja, o afeto.</p>
<p>É com este início de vida difícil que Robert vai tentar se humanizar e se desenvolver: como poderíamos esperar, ele tem muita dificuldade. Casa-se com uma mulher que o trai com o irmão (Tigre) e, com este, sofre um acidente que carboniza grande parte do seu corpo. Ele tenta desesperadamenter  curá-la. Ela não suporta se olhar no espelho e se mata, na frente de sua filha pequena.</p>
<p>Já adolescente, sua filha, comprometida e marcada com o suicídio da mãe, é estuprada e perde completamente o contato com a realidade. Ela também sucumbe ao destino que as mulheres da vida de Robert assume para ele: a morte. A menina se suicida no hospital psiquiátrico.</p>
<p>A partir deste evento que me parece um divisor de águas para desestruturar o já precário &#8220;equilíbrio psíquico&#8221; do médico, ele passa a concretizar o seu desejo de construir uma pele (de mulher) indestrutível e resistente aos acontecimentos da vida.</p>
<p>Nesse sentido, creio que o filme fala do desejo (que beira o desespero) de Robert  no sentido de restaurar dentro de si a figura de uma mulher (mãe) que  ele sente morta e destruída. Penso que este é desejo inconsciente que o motiva o filme todo: mulheres morrem (sua esposa, sua filha) e ele tenta restaurá-las, embora, estas tentativas falham porque a restauração não é feita internamente, mas buscada de maneira concreta e quase alucinatória. Lembro que provavelmente ele não pôde contar com o cuidado básico e amoroso da primeira mulher de sua vida &#8211; sua mãe &#8211; o que explicaria o seu desespero em tentar se reencontrar com a pele de uma mulher.</p>
<h1>A pele que habitamos&#8230;</h1>
<p>E aqui faço uma breve pausa para pensar sobre o filme que me parece perfeito para descrever a problemática central do filme:</p>
<p>A primeira imagem que me ocorreu é que a pele que habitamos é a morada mais básica e primordial que define a nossa existência (lembro que a pele é o maior órgão do corpo humano, só perdendo em extensão para o órgão do inconsciente). É na nossa pele que está nossa impressão, ou seja, é ela que definirá, em última instância, quem nós somos e que existimos de fato.</p>
<p>O contraponto desta ideia sugere que pode haver seres humanos que não se sentem habitando a própria pele e para isso não consigo pensar em outro autor que não seja <a title="texto Winnicott" href="http://http://fepal.org/nuevo/images/stories/cuenca-zavala.pdf">Winnicott</a> para nos ajudar.</p>
<p>Winnicott, estudando o desenvolvimento emocional de bebês, descobriu que é no cuidado afetivo e sensível que a mãe oferece ao seu bebê que ele nascerá do ponto de vista psíquico. Ou seja, é através do holding (contato pele-a-pele, consistência e ritmo das mamadas e do cuidado físico) que o bebê começa a sentir que existe de fato dentro do seu próprio corpo. Que aquele corpo e que aquela pele são dele e de mais ninguém. É aí que nasce o indivíduo.</p>
<p>No caso do filme, creio que o título é perfeito para descrever o que Robert não conseguia sentir: que habitava em sua própria pele. Desta forma, sua meta é construir uma mulher cuja pele é imperecível e não se desfaz com o tempo. Pele que se mantenha para sempre firme e jovem o que penso ser expressão última do seu desejo de se reencontrar com uma pele que lhe dê existência.</p>
<p>Para criar esta &#8220;pele de mulher imperecível&#8221; ele usa, de forma perversa, o estuprador de sua filha para construir esta nova mulher: tranca-o, castra-o e implanta nele sua nova pele, lisa e perfeita.</p>
<p>Penso que o título do filme é emblemático nesse sentido. Qual é a pele que o bebê habita no início da vida senão a pele da sua mãe que deve ser macia e sensível no sentido emocional, ou seja, quente ao toque do bebê e aconchegante.</p>
<p>Podemos pensar que o personagem principal deste filme nunca pôde viver esta experiência pele-a-pele com sua mãe. Por isso, sua busca era por construir alguma pele (de mulher) que o pudesse habitar, que pudesse dar a ele algum contorno de existência firme e sólida, algo que ele não sentia ter.</p>
<p>Penso é que é deste terror que o filme fala: o terror que vive um ser humano que não pôde ter alguma pele para habitar, alguma pele que possa chamar de sua, em uma instância, uma identidade constituída e sólida que só é possível  na medida em que podemos habitar a pele de alguém sensível e empático à nossa existência.</p>
<p>E para expressar este terror, creio que Almodóvar foi primoroso como sempre.</p>
<p>O que você achou do filme? Faça seu comentário.</p>
<p>Abraços</p>
<p>Ana Laura Moraes Martinez</p>
<p>Psicóloga clínica / Professora Doutora</p>
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		<title>Vídeo: Busca por um ideal de perfeição &#8211; Ana Laura Moraes Martinez</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 17:36:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atendimento Clínico]]></category>

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		<description><![CDATA[O ideal nosso de cada dia: No dia 14/06 fui convidada para participar do Programa TPM, gravado em Ribeirão Preto, com a proposta de discutir o &#8220;perfeccionismo&#8221;, jargão bastante conhecido do senso-comum. Minha principal preocupação neste momento era conseguir transmitir às pessoas, com uma linguagem acessível, algumas idéias psicanalíticas sobre o tema. Bem, em primeiro [...]<h4>Nenhum post relacionado </h4>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>O ideal nosso de cada dia:</h2>
<p>No dia 14/06 fui convidada para participar do Programa TPM, gravado em Ribeirão Preto, com a proposta de discutir o &#8220;perfeccionismo&#8221;, jargão bastante conhecido do senso-comum. Minha principal preocupação neste momento era conseguir transmitir às pessoas, com uma linguagem acessível, algumas idéias psicanalíticas sobre o tema.<span id="more-370"></span></p>
<p>Bem, em primeiro lugar, nós cansamos de ouvir pessoas, leigas nas questões da mente, dizerem que são perfeccionistas. Na verdade, isso é um pleonasmo! Todos nós temos o que Freud chamou de ideal de ego, ou seja, desejos e expectativas, mais ou menos realistas, sobre o que desejamos para nós mesmos, sobre as pessoas que queremos ser, sobre os nossos ideais éticos e morais, etc.</p>
<p>Então, todos nós temos um ideal de &#8220;perfeição&#8221;, por assim dizer. Basta ver todos os desejos utópicos que permeiam nossa mente: o ideal de um mundo melhor, o ideal de nos tornarmos pessoas melhores, de fazermos um bom trabalho, etc.</p>
<p>E isso é muito bom! É bom que sejamos guiados em nossas ações por um ideal.</p>
<h2>Quando este ideal que buscamos passa a ser um problema?</h2>
<p>Bem, a busca por este ideal passa a ser problemática quando as exigências que a própria pessoa faz para si mesma, para os outros e para o mundo que a cerca passam a ser irreais ou impossíveis de serem alcançadas. Vou dar um exemplo: se eu tenho um padrão de exigência comigo e com os outros (normalmente isso vem junto) elevadíssimo, eu vou ter muita dificuldade de perdoar as falhas dos outros e as minhas próprias. Conclusão: vou passar a vida toda brigando com os outros e comigo mesma porque o mundo deveria ser diferente e não é!</p>
<p>Pessoas que agem, sentem e pensam desta forma, na verdade, sofrem de padrões internos rígidos e severíssimos. Estão sempre esperando que elas próprias e os outros não sejam nada menos do que perfeitos. E não se perdoam por isso.</p>
<p>Vocês podem imaginar que viver desta forma é torturante, para a própria pessoa e para aqueles que convivem com ela.</p>
<p>Outro problema é que a pessoa que tem este mundo interno rígido imagina que os outros também são assim. Ou seja, passam a se sentir perseguidas também pelos outros, imaginando que ninguém poderá gostar dela se ela não for perfeita.</p>
<p>E como nós humanos estamos longe, mais muito longe mesmo da perfeição (que, aliás, deve ser chatíssimo) esta pessoa terá muita dificuldade de ver graça nas pequenas coisas da vida e de levar a vida com humor, como nos ensinou o grande gênio Chaplin.</p>
<p>Se você se interessou pela discussão e quer ouvir um pouco mais sobre isso, assista ao programa TPM, em que discuto um pouco mais desta questão:</p>
<p><object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/6Algajkx5bg?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/6Algajkx5bg?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>


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		<title>O seu olhar melhora o meu.</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2011 14:22:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atendimento Clínico]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltava da análise hoje pela manhã impregnada por um profundo sentimento de beleza e poesia diante da vida que, segundo eu pensava naquele momento, só é possível de ser resgatado dentro de nós pelo encontro com o outro (analista, parceiro amoroso, pais internalizados). Então, tomada destes bons sentimentos internos, comecei a prestar atenção na música [...]<h4>Nenhum post relacionado </h4>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Voltava da análise hoje pela manhã impregnada por um profundo sentimento de beleza e poesia diante da vida que, segundo eu pensava naquele momento, só é possível de ser resgatado dentro de nós pelo encontro com o outro (analista, parceiro amoroso, pais internalizados). Então, tomada destes bons sentimentos internos, comecei a prestar atenção na música que tocava  na rádio:era a música chamada &#8220;O seu olhar&#8221; dos Tribalistas, cujo refrão diz o seguinte: &#8220;O seu olhar melhora o meu&#8221;.</p>
<p><span id="more-360"></span></p>
<p>Imediatamente lembrei-me, diante deste belo refrão, de outros dois fragmentos de memória que vivenciei em sala de aula nesta semana: (1) um aluno meu, bastante deprimido e amargurado, contava-me sobre sua descrença nos encontros humanos e dizia, cheio de ódio, que nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos. (2) outro aluno me questionava sobre a possibilidade de fazermos auto-análise, enquanto eu observava, entristecida, sua incapacidade e seu medo de estabelecer vínculos, numa busca narcísica e onipotente por se bastar sozinho!</p>
<p>Diante destes pensamentos-relâmpagos, resolvi escrever este pequeno texto na tentativa de elaborar estes sentimentos que pulsavam dentro de mim: um de vida e outro de morte.</p>
<h2>Pulsão de vida e de morte:</h2>
<p>Todos nós somos invadidos em algum momento por sentimentos de desesperança, de descrença e de ódio por  nós mesmos,pelos outros e pela vida. Melanie Klein define estes maus sentimentos, fruto da inveja e do ódio, que nos invade e destrói toda a capacidade de sonhar e de construir relações conosco e com os outros, como um derivado direto da pulsão de morte que, segundo ela, faz parte da nossa constituição psíquica.</p>
<p>Segundo ela, temos que lutar a vida toda contra este potencial de destruição interna que nos persegue, silenciosamente. E este potencial destrutivo interno pode se apresentar de diversas formas: na crença de que o mundo está cheio de maldade e de ódio (quando projetamos nossa pulsão de morte), de que nós não temos qualquer valor diante da vida (sentimentos melancólicos), de que as relações não valem a pena e de que o outro só serve pra nos encher a paciência.</p>
<p>Todos estes são derivativos da pulsão de morte que visa destruir e &#8220;desligar&#8221; qualquer possibilidade de vinculação afetiva, de nós com nossos bons objetos ou de nós com os outros.</p>
<p>Numa relação amorosa este tipo de sentimento é muito comum quando, por exemplo, sentimos que o outro só está lá pra nos afrontar ou nos tirar do sério. Mas, se relacionar não precisa ser assim.</p>
<h2>Elaborando nossa pulsão de morte:</h2>
<p>O que ocorre nestes casos é que, estando mobilizados diretamente pela nossa destrutividade interna, passamos a ver os outros e o mundo de forma distorcida, em preto e branco. Tudo perde a graça e o sentido e a única saída que almejamos é ficarmos sozinho.</p>
<p>Só que aí é que está o engano. As pessoas que sentem que é o outro que nos atrapalha não sabem que o que está atrapalhando o seu desenvolvimento não é o outro, mas são estes sentimentos de ódio que a invadem e atacam sua mente, deixando tudo ruim.</p>
<p>Ao contrário, quando os sentimentos de vida predominam em nossa mente podemos sentir e constatar que o olhar do outro nos melhora e não nos piora!</p>
<h2>O seu olhar melhora o meu!</h2>
<p>De que modo o olhar do outro pode melhorar o meu? Vamos parar pra refletir um pouco sobre isso.</p>
<p>É simples: nós não temos capacidade de nos enxergar tal como somos porque muitas vezes estamos asfixiados por confusão interna, sentimentos de caos e de angústia. É só o outro, que pode ser nosso parceiro amoroso ou nosso analista, que poderá nos dar a bússola de como estamos sendo, obviamente de forma amorosa e compreensiva.</p>
<p>Pensem no olhar apaixonado da mãe pelo seu bebê: não é este olhar amoroso que vai melhorar o olhar do bebê sobre ele mesmo? Que vai transformar seu desespero em algo suportável e não terrorífico? Quem nunca se sentiu amedrontado ou angustiado e não almejou, ardentemente, o abraço caloroso ou a compreensão silenciosa de alguém? É esta a mágica do encontro humano: é só o outro que pode nos acolher desta forma.</p>
<p>Como eu disse, quando estamos em contato com sentimentos amorosos dentro de nós e vemos o outro também de forma amorosa não há porque lutar ou se sentir perseguido pelas pessoas. Se nos sentimos amorosos diante da vida imediatamente passamos a ver o outro de forma amorosa e, portanto, parte essencial  da nossa vida.</p>
<p>O problema é que quando o ódio predomina sentimos este olhar do outro como um olhar crítico e não como um olhar amoroso. E é isso que dificulta as relações humanas. É isso nos afasta das pessoas e de nós mesmos, nos colocando num perigoso círculo vicioso que obedece a seguinte lógica: 1) Eu não confio na minha capacidade de amar porque estou cheio de ódio; 2) Eu não confio em ninguém; 3) Eu me basto.  As pessoas só me atrapalham.</p>
<p>Este é o passo triste que leva ao narcisismo, à onipotência e, conseqüentemente, à incapacidade de poder usufruir da beleza e da poesia da vida.</p>
<p>O que você achou destas idéias?</p>
<p>Deixe seu comentário.</p>


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